Um Ano “sem” Studio Ghibli: O que Miyazaki e Companhia nos Deixaram

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O aviso foi feito em 2014: o Studio Ghibli não faria novos filmes, ao menos por um tempo. O fã de longa data, que escuta Miyazaki anunciar a aposentadoria desde 1997, deve ter ficado incrédulo. Porém, um ano depois, parece que seu produtor, Toshio Suzuki, falava sério. Quando Estava com Marnie, lançado no Japão ano passado e em Blu Ray esse ano no ocidente, foi o último coelho a sair da cartola. A companhia que nos deu Totoro e Nausicaa está sem planos imediatos para novos lançamentos.

Aos abalados, um consolo. Suzuki garante que o estúdio voltará, mas deve passar por uma reformulação. Será que as coisas voltarão a ser como antes? Ou teria a era dos filmes clássicos de Miyazaki e Takahata chegado, finalmente, ao seu fim?

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O que The Witcher 3 nos Ensina Sobre Afeto

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Qual foi a última vez que você se pegou pensando em uma personagem de videogame como uma pessoa real? Que passou o dia agonizando após um criatura de pixels e voz pré-gravada lhe dar as costas, ou “morrer” graças às suas ações?

Para fãs de CRPG a pergunta é quase retórica. O gênero veio de histórias coletivas criadas em rodas entre amigos e levou a mesma vibe aos computadores e consoles. Se fãs de estratégia esperam nações e territórios e fãs de tiro olham para balas e alvos, RPGistas estão atrás de pessoas.

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Fallout e o Charme do Apocalipse

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A guerra nunca muda… Mas outras coisas sim, e como. Em uma frase, este é o apelo do gênero pós-apocalíptico, hypado na E3 desse ano com o anúncio de uma de suas franquias mais populares. A reação online a Fallout 4 não deixa dúvidas de que este será um dos grandes hits do fim do ano.

De onde, porém, vem todo esse entusiasmo? É consequência apenas do sucesso da série, nas mãos primeiro da Interplay, depois da Bethesda (e brevemente da Obsidian)? Acredito que não. Tal como a fantasia medieval e a Segunda Guerra, a Terra pós-apocalíptica é um cenário sedutor como poucos outros. Com uma tradição literária e cinematográfica respeitável, o gênero caiu como uma luva nos RPGs, aos quais trouxe uma vibe completamente nova.

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O Homem de Palha que Você Nunca Conheceu

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Christopher Lee, morto semana passada, foi um daqueles homens que nos fazem perguntar o que tanto fazemos sentados no sofá. Em 93 anos de vida, interpretou mais de 250 papeis, lutou em quase todos os fronts da Segunda Guerra Mundial e aproveitou para escalar o Monte Vesúvio durante uma folga após a batalha de Monte Cassino – uma das mais sangrentas do conflito. Falava inglês, italiano, francês, espanhol, alemão, sueco, russo, grego e mandarim. Era treinado em canto lírico e gravou CDs de Heavy Metal, tornando-se o músico mais velho a entrar na lista de mais ouvidos do Reino Unido. Foi amigo de J.R.R. Tolkien e primo de Ian Fleming, o criador de James Bond.

Cada um tem uma razão especial para lamentar sua morte. Para alguns, foram os vilões a quem deu vida no fim de carreira, Saruman e Conde Dooku. Para as gerações mais antigas, talvez seja sua interpretação do Conde Drácula. De minha parte, cito aquele que, na opinião do grande ator (e desse humilde blogueiro) foi o seu melhor filme: O Homem de Palha de 1973.

Em situações normais, bastaria citar o título para deixar registrada a homenagem. Infelizmente, O Homem de Palha foi um filme tão diferente, tão mutilado por cortes, prejudicado por uma distribuição maluca e pelo seu próprio legado que a recomendação precisa de uma disclaimer. Assim, aqui vão três pontos para tentar encorajar os que até agora nunca se interessaram por  esse clássico do terror a vê-lo. Continuar lendo O Homem de Palha que Você Nunca Conheceu

O Monstro Dentro de Cada Um de Nós

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Aquele que luta contra monstros deve ter cautela para que ele também não se transforme em um monstro.

A frase é de Nietzsche, embora tenha se popularizado (um tiquinho modificada) na voz de Idris Elba no filme Pacific Rim. No que diz respeito aos nossos medos, a afirmação vai direto ao ponto. Monstros apavoram, mas o medo é muito maior quando sabemos que eles têm uma casca de humanidade. Dos lobisomens aos serial killers, do vampirismo à loucura, poucas coisas fazem homens tremerem nas bases mais do que saberem que podem sucumbir à selvageria.

Ainda assim, há uma pequena nuance na frase que a torna ainda mais interessante. E se fosse o ato mesmo de caçar monstros que os faz surgir em primeiro lugar? E se a distância entre caçadores e criaturas for pequena – pequena demais, talvez, para que a maioria das pessoas a perceba? E se eles – tanto monstros quanto herois – não pertencerem ao mundo “normal”, mas fizerem parte de um outro: um jogo de gato e rato mortal em que inocentes estão à mercê de sua violência?

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Uma História do Cosplay: Parte 2

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Este post é a segunda parte de uma série. Para ler a primeira parte, clique aqui.

Encontrar a origem do cosplay no ocidente é mais difícil do que parece. Como disse na semana passada, a maioria dos pioneiros não têm noção de que estão criando uma moda que vingará. No Japão não foi diferente. A única certeza que podemos ter é que o hobby não surgiu magicamente com a criação do termo por Nobuyuki Takahashi. Tal como nos Estados Unidos, a prática já contava com uma tradição, espaços de atividade e um grupo de fãs excêntricos e criativos.

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Uma História do Cosplay: Parte 1

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Daqui a menos de dois meses chegará até nós a nova edição da Anime Friends. Com ela, vem também o desespero de um exército de cosplayers, amadores ou profissionais, na árdua missão de terminarem seus trajes. O que pouco sabem é que o hobby, popularizado nos últimos anos, é muito mais antigo do que a maioria das pessoas imaginam. Aqueles que criticam a arte de criar fantasias como “passatempo de criança” se surpreenderiam em saber que os primeiros “cosplayers” teriam idade para ser seus avós (ou bisavós). O hobby é mais antigo que os videogames, mais antigo que os computadores (sem os quais não haveria games) e, quiçá, mais antigo que o próprio anime.

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Miho Maruo e Keiichi Hara: Nomes para Guardar na Memória

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Não é preciso ser “do meio” para reconhecer o talento no mundo do anime. Amantes de cinema de uma forma geral têm a lista dos artistas que admiram na ponta da língua. No entanto, não é todo dia que alguns dos nomes mais conceituados em atividade resolvem juntar esforços num único projeto.

Miss Hokusai parece ser uma dessas peças raras. A película já está dando as caras em festivais e estará dentro de breve disponível ao público geral fora do Japão. Trata-se de um filme sobre a filha do famoso pintor de A Grande Onda de Kanagawa e herdeira de seu talento, muito embora (como outros parentes de lendas vivas) tenha acabado obscurecida pelo sucesso do pai. Além da premissa pouco usual, o que chama atenção é o dream team que segura suas pontas. A obra é baseada no mangá de Hinako Sugiura, entusiasta da era Edo (1603-1868) que largou a profissão de mangaká para fazer consultoria histórica sobre a época. A animação está sob o comando de Yoshiki Itazu, que tem no currículo Vidas ao Vento de Miyazaki e o inacabado The Dreaming Machine de Satoshi Kon. A arte de fundo é assinada por Hiroshi Ohno, o mesmo do sensacional The Wolf Children. O roteiro e a direção, por sua vez, estão nas mãos de Miho Maruo e Keiichi Hara.

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Extra: “Inventando as Verdades” de Mad Men

Produzir uma série histórica não é fácil. Ainda mais um drama de peso como Mad Man. Criaturas do nosso tempo que somos, precisamos ter cuidado com as escolhas mais básicas: os itens de vestuário, os objetos de cena, o papel de parede, o tipo de cadarço do sapato, as linhas de diálogo. Quem se responsabiliza por essas coisas? Uma legião de artistas e auxiliares. Felizmente para nós, alguns deles resolveram compartilhar seu processo criativo.

The Complete Mad Men Companion é um guia virtual que viaja pelos bastidores do hit de Matthew Wiener. Dos ternos de Don aos penteados da Joan, da carteira da Betty às mesas da SC&P, cada escolha é comentada pelos criadores responsáveis. A galeria mostra um nível de detalhismo de cair o queixo, e é leitura recomendada para qualquer fã de Mad Men e da atual renascença da TV americana.

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Da Escócia a Temeria

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Esse mês traz um sopro de alívio a todos que sofrem da abstinência de grandes RPGs. The Witcher 3: The Wild Hunt, sequência de uma das mais inesperadas franquias dos últimos anos, chegará às prateleiras. Quem pensava que um game da Polônia viesse um dia a fazer sucesso no grande circuito que venha pegar meu dinheiro da aposta. De minha parte, qualquer esperança que eu pudesse ter a respeito foi varrida pela tímida recepção do alemão Gothic na geração retrasada. Nota mental de que a Europa não-anglófona e não-Ubisoft, se não uma cornucópia da fartura em termos de lançamentos, tem muito talento a entregar.

Céticos ou apaixonados, fãs da série que perderam a entrevista de  Jonas Mattsson, designer da CD Projekt Red, em 2013 vão se interessar em ler seus comentários. Sua declaração de que The Wild Hunt, fiel à nova linha de RPGs pós-Skyrim, será uma sandbox talvez seja o que mais atraia a atenção dos gamers. Contudo, interessante também são as referências sobre as quais ele diz ter trabalhado: Game of Thrones, Robin Hood e o clássico épico de Mel Gibson, Coração Valente.

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