De onde vieram os anti-heróis dos quadrinhos?

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Entre a nova (e violenta) adaptação de Demolidor, os ecos de Frank Miller em Batman vs. Superman, o status de “lenda cult” de Christopher Nolan e a vinda da Guerra Civil para os cinemas, tudo aponta para a mesma coisa: o anti-herói está na moda. E pretende ficar.

Por si só, isso não é uma surpresa. Seja na literatura, nos games ou nas séries de TV, o velho confronto do “bem” versus o “mal” parece ter sido substituído por algo mais sofisticado – e muito mais sanguinolento.

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O fascínio dos animes com a magia ocidental

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Quem tem o hábito de acompanhar mangás e animes já deve ter reparado que esse meio tem um pé no esotérico. Ao lado de mechas, uniformes escolares e doces baratos – muitas vezes, ao mesmo tempo – a cultura pop japonesa parece ter uma queda por magia e ocultismo.

Não qualquer magia, mas uma bastante específica – e distintamente ocidental. Cartas de tarot, círculos mágicos, símbolos do zodíaco, palavras em latim, referências bíblicas, nomes ingleses ou germânicos, sociedades secretas, trajes e apetrechos inspirados na maçonaria. Certos animes pagam tanto tributo ao ocultismo estrangeiro que poderiam se passar por um museu esotérico. De preferência, em algum lugar de Londres, ou na antiga “pequena Inglaterra” da Ásia: Hong Kong.

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O cansaço com os ‘open worlds’ e o que significa se divertir

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O fim dos anos 1980 teve os adventure games. Nos consoles, por volta da mesma época, os jogos de plataforma brilhavam. O final dos anos 1990 teve sua “Era de Ouro” dos RPGs isométricos. E os anos 2000 testemunharam a glória dos FPSs militares.

Durante toda a história dos videogames, alguns gêneros foram populares a ponto de marcar suas épocas e determinar (para o bem ou para o mal) o caminho a ser seguido pela indústria.

Entre os sucessos de Skyrim, GTA V, Witcher 3, Metal Gear Solid V  e tantos outros, a impressão atual é de que os games de mundo aberto se tornaram o “espírito da época” dos anos 2010 – e, quem sabe, de tudo o que virá pela frente.

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“Numenera”: Em um bilhão de anos, o que significará ser humano?

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2016 pode estar apenas começando, mas alguns jogos, de tão aguardados, nos fazem pensar que o tempo não anda. Para mim – e, imagino, tanto outros que acompanham a renascença dos RPGs isométricos – é o caso de Torment: Tides of Numenera.

O game da inXile foi anunciado em 2013, já arrecadou mais de US$ 5 milhões no Kickstarter, teve a data de lançamento adiada algumas vezes e agora está em early access. Todo cuidado é pouco: o que Pillars of Eternity fez com Baldur’s Gate e Wasteland 2 fez com Wasteland e Fallout, Tides of Numenera pretende fazer com Planescape: Torment.

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É difícil navegar por fórums de CRPG sem topar com uma menção ao título da Black Isle. Planescape: Torment é um dos mais populares games que ninguém jogou. Devido à sua arquitetura contraintuitiva,  o RPG foi um tremendo fracasso de vendas. Ao mesmo tempo, ele guarda a honra de ser um dos jogos mais complexos e bem escritos de todos os tempos.

Tides of Numenera promete unir o útil ao agradável. Ao contrário de seu “predecessor espiritual” e suas inclementes regras de AD&D, o game é baseado no sistema Cypher,  que preza pela simplicidade e clareza.

O que sairá da experiência só saberemos nas próximas semanas (ou meses). Felizmente, não precisamos esperar para ter um gostinho do que está por vir. Tides of Numenera é inspirado um RPG de mesa criado por Monte Cook e lançado em 2013.

Se o livro de referência é algum indicativo, gamers podem esperar um 2016 bombástico. Numenera não é apenas o cenário mais criativo a dar as caras na “renascença isométrica”,  como tem o potencial de ser um jogos mais profundos dos últimos tempos.

Quão profundo? A ponto nos convidar a questionar o que é ser humano.

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Quando os games questionam o progresso

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Parece óbvio que mídias tão contemporâneas como os videogames sejam otimistas em relação ao futuro. Por mais que Deus Ex ou Fallout nos lembrem de consequências nefastas da tecnologia, a ideia de que “progresso” – em alguma forma –  é algo bom não precisa de justificativas.

Mais ou menos, dirão alguns. E estarão certos. Embora não haja falta de árvores tecnológicas e sistemas de promoção para nos lembrar de que “é para frente que se anda”, de quando em quando surge um jogo que nos sugere o contrário.

Thea: The Awakening, um game independente que passou despercebido em meio a tantos lançamentos no ano passado, é um deles. Nele, o objetivo não é dominar o mundo ou obter glória, mas restaurar o que foi perdido.

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‘Darkest Dungeon’ e a importância dos roguelites para os games

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Um grupo de aventureiros decide desbravar as ruínas de um castelo em busca de tesouro. Seria a premissa de 90% dos dungeon crawlers do mercado, não fosse alguns pequenos detalhes:

Os aventureiros são humanos e podem ter um colapso nervoso caso encontrem alguma grande abominação. O progresso é permanente e não permite que recorramos a um save anterior. Os dungeons são mais repletos de armadilhas do que a mente de um mestre de RPG de mal humor, e a inteligência artificial parece ter o gênio de um sádico.

Assim Darkest Dungeon, de RPG genérico, se mostra um lançamento de peso para o começo do ano. O jogo, que já colecionava elogios em sua versão early access, é um roguelite ambientado em um cenário gótico, com ênfase no terror psicológico.

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‘Showa Genroku Rakugo Shinju’: O lado exótico (e cômico) da cultura japonesa

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Em um meio repleto de mechas, cenas de ação em CG e heroínas de cabelos coloridos, qual a chance de um drama histórico sobre pessoas normais fazer sucesso?

E se o anime em questão for focado em um estilo de teatro virtualmente desconhecido fora do Japão, que mesmo em seu país natal é considerado uma cultura de nicho?

E se, em adição a tudo isso, esse anime abrisse com um episódio de 50 minutos, dos quais 15 são ocupados por apresentações de duas performances na íntegra?

Em um mundo “normal”, nenhuma. Felizmente para nós, o universo otaku é tudo menos normal. É assim que Showa Genroku Rakugo Shinju, anime sobre um aprendiz de teatro rakugo, tornou-se um dos lançamentos mais badalados da última temporada.

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