‘Showa Genroku Rakugo Shinju’: O lado exótico (e cômico) da cultura japonesa

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Em um meio repleto de mechas, cenas de ação em CG e heroínas de cabelos coloridos, qual a chance de um drama histórico sobre pessoas normais fazer sucesso?

E se o anime em questão for focado em um estilo de teatro virtualmente desconhecido fora do Japão, que mesmo em seu país natal é considerado uma cultura de nicho?

E se, em adição a tudo isso, esse anime abrisse com um episódio de 50 minutos, dos quais 15 são ocupados por apresentações de duas performances na íntegra?

Em um mundo “normal”, nenhuma. Felizmente para nós, o universo otaku é tudo menos normal. É assim que Showa Genroku Rakugo Shinju, anime sobre um aprendiz de teatro rakugo, tornou-se um dos lançamentos mais badalados da última temporada.

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O “mais do mesmo”: Por que paramos de odiar as sequels?

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Não faz tanto tempo que a falta de criatividade de Hollywood e seu hábito de explorar franquias de sucesso era motivo de chacota. De Volta para o Futuro 2 ilustrou isso bem ao pintar um 2015 fictício em que Tubarão 19 chegava aos cinemas. O próprio filme se tornou vítima da “maldição” em seu terceiro capítulo, considerado por todos o mais fraco.

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Por que ‘Fargo’ é a melhor série da TV

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Que o sucesso arrebatador de Demolidor, Breaking Bad, Game of Thrones, Mad Men e tantos outros não nos iluda. A série mais impressionante da “Era de Ouro” da telinha pode estar em outro castelo.

Fargo, seriado do FX que encerra sua segunda temporada essa semana, passou meio batido no radar entre tantos lançamentos de peso. Remake (ou spin-off) de um filme um tanto obscuro dos irmãos Coen ambientado no meio-oeste americano, a produção não parecia ter os quesitos para competir com heróis de aluguel, traficantes internacionais e gênios da publicidade.

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4 coisas a se esperar das futuras convenções nerds

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Nenhum indivíduo que adentrou a Comic Con Experience (CCXP) na semana passada provavelmente saiu da mesma forma.

“Vai ser épico” foi um dos slogans do evento. Memes à parte, a descrição não ficou muito distante da realidade. A CCXP trouxe aos brasileiros um modelo de convenção ao qual nosso país ainda não estava acostumado.

Como alguém que frequenta esse tipo de evento há cerca de dez anos, não pude deixar de notar a diferença entre as celebrações de fandoms de nossas convenções tradicionais e a escala industrial, maciça e corporativa emplacada pela CCXP. Os gigantes do mundo do entretenimento, que antes conhecíamos apenas via VHS piratas, merchandise bootleg e releituras em fanart, montaram seus estandes para se comunicar diretamente com o público.

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O retorno de ‘Sakura’: O que mudou desde 1998

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Quando vi o trailer de Sakura Card Captors no Cartoon Network pela primeira vez, inventei um motivo para faltar na escola para não perder a estreia. Como não podia simplesmente desaparecer do mundo para ver todos os 70 episódios (mais as reprises), aprendi às pressas a programar o gravador de cassetes. Em questão de semanas, as prateleiras da minha casa estavam repletas de fitas etiquetadas.

Eu cheguei a criar um fanclube entre meus amigos. Fizemos planos para publicar uma revista sobre a série, que obviamente nunca vingou. Em um mundo sem blogs, a ideia de crianças escreverem sobre qualquer coisa ainda era um sonho distante.

Eu poderia continuar, mas sei que não preciso: cada um de vocês têm histórias muito parecidas. De fato, começo esse post com esta confissão não porque ela é única, mas justamente porque é muito comum.

O meu comportamento – e o de boa parte da minha geração – foi o modus operandi de toda uma uma fanbase. E para mim – e, suspeito, boa parte da minha geração – nada me preencheria com mais alegria do que saber que a série poderia continuar.

O dia tardou, mas parece ter chegado. Fãs de Sakura já devem ter se deparado com a notícia de que a série de maior sucesso da CLAMP voltaria às telinhas para uma nova temporada.

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Os museus, o apocalipse e a fé de ‘Fallout’ na humanidade

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(ATENÇÃO: contém pequenos spoilers de Fallout 4)

Escolha qualquer jogo de fantasia. Encontre um fã de carteirinha. Pergunte a ele se já sonhou em viver dentro de seu mundo virtual. Com quase toda a certeza ele dirá sim, soltará um suspiro e contará das noites em que sonhou em morar em Whiterun ou Balmora.

Escolha um jogo de ficção científica e faça o mesmo experimento. Você custará a achar alguém que prefira bater ponto a passear pela galáxia.

E fãs de jogos pós- apocalípticos? Decerto ninguém é louco o suficiente para preferir uma horda de zumbis ou prédios irradiados ao nosso conforto contemporâneo.

Bem, mais ou menos. Como eu disse em uma outra ocasião, existe um charme irresistível no apocalipse. Continuar lendo Os museus, o apocalipse e a fé de ‘Fallout’ na humanidade

RPG ou FPS? O problema dos gêneros em videogames

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Fallout 4 já vendeu mais de 12 milhões de unidades e está no caminho de se tornar um dos títulos mais populares da geração. Nem todo o sucesso, no entanto, o salvou dos desafetos. Na linha de Mass Effect 3, Dragon Age II, Diablo III e tantos outros no passado, o game foi alvo de uma review-bombing no Metacritic, com mais de 700 avaliações negativas – várias com nota 0.

As críticas são várias, mas apresentam um denominador comum. Usuários se queixam do crescente distanciamento da série daquilo que a tornava especial. Aqui e acolá, a acusação aparece com todas as letras: Fallout estaria deixando de ser um RPG para se tornar um FPS. Narrativas ramificantes, diálogos complexos e sistemas de promoções criativas teriam sido substituídos por tiroteios acelerados.

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Existe anime fora do Japão?

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Da lista de perguntas que causam flamewars com maior frequência, essa com certeza está no Top 10. Os animes conquistaram o mundo faz já algum tempo, e de lá para cá são vários os artistas que se inspiraram no estilo para criar seus próprios trabalhos. Mas seriam essas obras “animes”, também?

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Quem são os ‘Moomins’ que acabam de chegar ao Brasil

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Fãs de literatura infantil têm um motivo para comemorar. Moomin, o personagem clássico da escritora Tove Jansson, acaba de chegar ao mercado brasileiro.

Para quem não conhece, Moomin é um filhote de troll que frequentemente se mete em confusão. Nas suas jornadas, é amparado por uma série de amigos e criaturas fantásticas: Hattifatteners, seres compridos que rondam o planeta. Snufkin, um filósofo que não tem apreço por bens materiais nem uma casa para chamar de sua. O Groke, mostro apavorante que congela o chão que pisa. E muitos outros.

Moomin é uma sensação na Finlândia, seu país natal, e conta até com um parque de diversões na cidade de Naantali. Originalmente uma série de livros, a franquia foi adaptada para quadrinhos, cinema e TV.

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A cultura geek está em decadência?

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Eu geralmente prefiro falar de coisas agradáveis. Há muito de positivo no mundo nerd para perdermos a cabeça com os problemas. Na semana passada, no entanto, terminei minha coluna com uma reflexão um pouco angustiada. Para resumir, disse que estou apreensivo sobre o futuro da série Star Wars agora que sua máquina de hype na Disney começou a funcionar a todo vapor.

Como eu mesmo citei brevemente, não é de hoje que nerds desconfiam de grandes corporações do entretenimento. Basta olhar para a EA, campeã de reclamações de gamers, que foi votada pior companhia dos EUA diversas vezes. Com sua entrada no mundo mainstream, a cultura geek começou a depender de coisas que antes não precisava, ou ao menos não na mesma escala. Produtores, orçamentos bilionários, interesses externos. Há quem acredite que ter assinado esse contrato, para usar o corporativês, foi uma decisão ruim.

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