O fascínio dos animes com a magia ocidental

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Quem tem o hábito de acompanhar mangás e animes já deve ter reparado que esse meio tem um pé no esotérico. Ao lado de mechas, uniformes escolares e doces baratos – muitas vezes, ao mesmo tempo – a cultura pop japonesa parece ter uma queda por magia e ocultismo.

Não qualquer magia, mas uma bastante específica – e distintamente ocidental. Cartas de tarot, círculos mágicos, símbolos do zodíaco, palavras em latim, referências bíblicas, nomes ingleses ou germânicos, sociedades secretas, trajes e apetrechos inspirados na maçonaria. Certos animes pagam tanto tributo ao ocultismo estrangeiro que poderiam se passar por um museu esotérico. De preferência, em algum lugar de Londres, ou na antiga “pequena Inglaterra” da Ásia: Hong Kong.

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‘Showa Genroku Rakugo Shinju’: O lado exótico (e cômico) da cultura japonesa

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Em um meio repleto de mechas, cenas de ação em CG e heroínas de cabelos coloridos, qual a chance de um drama histórico sobre pessoas normais fazer sucesso?

E se o anime em questão for focado em um estilo de teatro virtualmente desconhecido fora do Japão, que mesmo em seu país natal é considerado uma cultura de nicho?

E se, em adição a tudo isso, esse anime abrisse com um episódio de 50 minutos, dos quais 15 são ocupados por apresentações de duas performances na íntegra?

Em um mundo “normal”, nenhuma. Felizmente para nós, o universo otaku é tudo menos normal. É assim que Showa Genroku Rakugo Shinju, anime sobre um aprendiz de teatro rakugo, tornou-se um dos lançamentos mais badalados da última temporada.

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O retorno de ‘Sakura’: O que mudou desde 1998

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Quando vi o trailer de Sakura Card Captors no Cartoon Network pela primeira vez, inventei um motivo para faltar na escola para não perder a estreia. Como não podia simplesmente desaparecer do mundo para ver todos os 70 episódios (mais as reprises), aprendi às pressas a programar o gravador de cassetes. Em questão de semanas, as prateleiras da minha casa estavam repletas de fitas etiquetadas.

Eu cheguei a criar um fanclube entre meus amigos. Fizemos planos para publicar uma revista sobre a série, que obviamente nunca vingou. Em um mundo sem blogs, a ideia de crianças escreverem sobre qualquer coisa ainda era um sonho distante.

Eu poderia continuar, mas sei que não preciso: cada um de vocês têm histórias muito parecidas. De fato, começo esse post com esta confissão não porque ela é única, mas justamente porque é muito comum.

O meu comportamento – e o de boa parte da minha geração – foi o modus operandi de toda uma uma fanbase. E para mim – e, suspeito, boa parte da minha geração – nada me preencheria com mais alegria do que saber que a série poderia continuar.

O dia tardou, mas parece ter chegado. Fãs de Sakura já devem ter se deparado com a notícia de que a série de maior sucesso da CLAMP voltaria às telinhas para uma nova temporada.

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Existe anime fora do Japão?

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Da lista de perguntas que causam flamewars com maior frequência, essa com certeza está no Top 10. Os animes conquistaram o mundo faz já algum tempo, e de lá para cá são vários os artistas que se inspiraram no estilo para criar seus próprios trabalhos. Mas seriam essas obras “animes”, também?

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O final de ‘Charlotte’, ou quem tem medo de Jun Maeda?

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Dependendo da sua opinião sobre o último episódio de Charlotte, o que você deve estar sentindo pode não ser exatamente ‘medo’, mas alegria, raiva, ódio, confusão, deslumbre ou algum sentimento tão indescritível quanto os enredos  do roteirista.

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Jun Maeda

Para quem está por fora, cai bem uma introdução. Jun Maeda é um dos grandes talentos do anime contemporâneo. O roteirista, pioneiro de visual novels, é co-fundador do estúdio Key e assinou vários jogos posteriormente adaptados ao anime, como Air, Clannad, Kanon e Little Busters! Mais recentemente, ele tem se dedicado a produções exclusivas para a telinha e adquiriu grande sucesso com os hits Angel Beats! e Charlotte.

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Entrevista: como ‘Attack on Titan’ expandiu as fronteiras do mangá

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No mês passado, dois executivos da Kodansha, Kohei Furukawa e Hiroaki Morita, vieram aos Estados Unidos para conversar sobre mangás, o futuro dos quadrinhos com as mídias digitais e o sucesso de produções japonesas em solos ocidentais.

Em especial, citaram como Attack on Titan, o hit de Hajime Isayama, foi um divisor de águas no mercado. Em uma época de baixa popularidade de mangás, a série propiciou uma renascença da demanda por quadrinhos japoneses.

Eu já falei anteriormente do imenso apelo de Attack on Titan e de como ele ultrapassa as polêmicas domésticas em torno do seu lançamento. Com sua fórmula simples, herois interessantes e fábula de luta contra a opressão, ele acerta em um acorde surpreendentemente universal.

Furukawa e Morita são da mesma opinião. A entrevista completa pode ser encontrada no Anime News Network, em inglês. Para os interessados, vão abaixo alguns highlights:

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Shigeru Mizuki: O soldado que inventou o mangá moderno

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Quando pensamos em “pai do mangá”, o primeiro nome que vem à cabeça é quase sempre Osamu Tezuka. Entre seu pioneirismo em praticamente todos os gêneros, a influência de seu trabalho nos filmes da Disney e as inúmeras graphic novels premiadas, é impossível olhar para uma gibiteca e não ver a marca do autor de Astro Boy em praticamente tudo.

De que sua fama é merecidíssima não há nenhuma dúvida. Contudo, Tezuka é um daqueles artistas que, de tão famosos, acabam ofuscando até mesmo os outros gênios. É o caso de seu contemporâneo Shigeru Mizuki, outro pioneiro do mangá que ganhou destaque nos anos 1950 e não parou de brilhar.

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Antes de ‘Perfect Blue’: os mangás esquecidos de Satoshi Kon

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Satoshi Kon, morto aos 46 anos em 2010, foi um dos maiores nomes da animação japonesa. Mais do que qualquer outro diretor, ele conseguiu traduzir às telonas a vibe histérica e surrealista de autores como Haruki Murakami e de movimentos como o Superflat.

Seus fãs geralmente o conhecem por seus quatro longa-metragens: Perfect Blue (do qual Cisne Negro é uma adaptação), Millenium Actress, Tokyo Godfathers Paprika, e também por sua série, Paranoia Agent. Poucos sabem, no entanto, que antes de sua estreia no cinema Kon escreveu e desenhou uma série de mangás tão inovadores e adultos como o trabalho que o tornou famoso.

À primeira vista, parece óbvio que um figurão do anime tivesse um pé nos quadrinhos nipônicos. As duas indústrias têm uma relação tão forte que o mangá é geralmente a porta de entrada mais fácil para aspirantes ao universo da animação. Satoshi Kon, entretanto, não era um diretor lá muito comum, e seus quadrinhos deixam isso claro. Para nós, órfãos do grande mestre, essas obras (a maioria inacabada) são uma chance inédita de conhecer a mente do criador que virou de ponta cabeça a arte de Miyazaki e Tahakata.

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‘Zero Eterno’: Eram os kamikaze terroristas?

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Convenções de anime têm muito atrativos, mas poucos, na minha opinião, são tão legais quanto varar um estande de sebo ou livraria de mangás e achar algo que não sabia que existia. Nesse ano, o “achado” foi Eien no Zero, ou Zero Eterno, uma minissérie bonitona lançada pela JBC como parte de seu selo “especial”, com direito a papel off-set e orelhas. Se o título já não entrega, a capa sem dúvida o faz: Zero Eterno é uma mangá sobre caças. Mais precisamente, sobre a segunda coisa que vem à mente quando pensamos no Japão em guerra: os kamikaze.

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Um Ano “sem” Studio Ghibli: O que Miyazaki e Companhia nos Deixaram

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O aviso foi feito em 2014: o Studio Ghibli não faria novos filmes, ao menos por um tempo. O fã de longa data, que escuta Miyazaki anunciar a aposentadoria desde 1997, deve ter ficado incrédulo. Porém, um ano depois, parece que seu produtor, Toshio Suzuki, falava sério. Quando Estava com Marnie, lançado no Japão ano passado e em Blu Ray esse ano no ocidente, foi o último coelho a sair da cartola. A companhia que nos deu Totoro e Nausicaa está sem planos imediatos para novos lançamentos.

Aos abalados, um consolo. Suzuki garante que o estúdio voltará, mas deve passar por uma reformulação. Será que as coisas voltarão a ser como antes? Ou teria a era dos filmes clássicos de Miyazaki e Takahata chegado, finalmente, ao seu fim?

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