Café com Anime: “The Promised Neverland” episódios 3 e 4

Bem vindos ao Café com Anime, sua dose semanal de bom papo e animação japonesa!

Nessa temporada, o Finisgeekis, Anime21, Dissidência Pop e É Só um Desenho discutem The Promised Neverland.

Neverland ganhou fama a partir de seus twists vertiginosos, e esses dois episódios ilustram bem o porquê. Com uma nova funcionária na Casa Grace Fields e a suspeita de um traidor entre as crianças, a situação de Emma e seus amigos nunca foi mais tensa.

Confiram:

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

BEM-VINDO A TODOS PARA MAIS UM EPISÓDIO DE THE PROMISED NEVERLAND!

ESTOU GRITANDO COM VOCÊS PORQUE, COMO VIRAM, NO MUNDO DE NEVERLAND É PRECISO ARTICULAR BEM AS PALAVRAS! MESMO SE ESTAMOS FALANDO SOZINHOS SOBRE UM PLANO SECRETO!

buniiito4Fábio “Mexicano”

Eu apontei isso no episódio anterior, né? E eles continuam, agora com o dobro do perigo. Mas acho que está um pouco menos pior, foram menos situações e pareceram menos absurdas – além de ter o Ray, que é a calma, tranquilidade e o silêncio em pessoa.

Enquanto isso, no episódio 2 Emma e Norman literalmente desceram dois lances de escada pra falar mal da Mamãe, que estava de onde eles saíram. Acho que a gente vai ter que acostumar, apenas. Lado positivo: os adultos parecem ter parafusos soltos também. Eles têm números e a Krone tem uma relação muito peculiar com uma boneca.

Ah, e o Ray é realmente dos meus: TEM QUE MATAR ATÉ A MORTE SIM. Na verdade começo a perceber que esse anime é bom para despertar impulsos primais que, por criação, eu sou bastante inibido.

Disse e repito que não mataria ninguém, mas assistindo Neverland e me colocando no lugar dos três inconfidentes eu sinto vontade de matar qualquer um que represente a menor das ameaças. Entendam: eu senti vontade de matar a … Gilda? É esse o nome da garota de óculos? Enfim. Não é ódio. É só que estamos falando de uma situação de matar ou morrer.

Eu quero salvar todo mundo. Nem que para isso precise matar cada um deles no processo.

diego gonçalvesDiego

Eu estou gostando de Neverland, mas devo admitir que é bastante distrativo ter esse personagens gritando seus planos sem maiores consequências. No caso das crianças eu engulo por falta mesmo de opção, e elas pelo menos parecem tentar falar baixo na maior parte das vezes.

Mas ai temos a Krone, literalmente gritando seus planos pra casa inteira ouvir. Essas paredes devem ter um isolamento acústico fenomenal, em? Sei lá, acho que é algo que atrapalha um pouco no fator thriller da coisa.

O quão mais interessante – e com isso quero dizer, mais tenso – não seria se todo mundo tivesse medo de abrir a boca e ser ouvido?

Talvez tivessem de começar a buscar lugares mais secretos pra conversar, ou a falar em códigos que só alguns entenderiam, ou qualquer coisa assim. Um nível crescente de paranoia onde você nunca sabe quem pode estar com a orelha colada na parede ao lado.

buniiito4Fábio “Mexicano”

São paredes com isolamento acústico demoníaco

Mas sim, a Krone contrastou muito com a Isabella. Isso é incômodo. O fato dela ser assertiva, e agir, como eu achei que ela fosse fazer, se comprovou, ela foi lá brincar de pega com as crianças, fez uma proposta diabólica pra Emma, achei legal isso. Mas os momentos dela sozinha são um pouco hiperbólicos, principalmente quando comparada com a outra.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Na real, eu tiro sarro mais perdoo. É evidente para mim que isso é um recurso para mostrar seus pensamentos – e quão entusiasmada, ou irritada, ou afoita ela se sente. Peças de teatro fazem a mesma coisa. Ninguém fala em monólogo e, quando fala, não é com aquela intonação e gestos exagerados. Mas precisa ser desse jeito, para que o sujeito que sentou na última cadeira consiga enxergar e entender.

Anime é parecido. Com raras exceções, personagens animadas não tem feições detalhadas. Fica difícil transmitir pensamentos por meio de tiques e olhares, como fazem atores de carne e osso. De onde o recurso a feições super deformadas e, em certa medida, reações “codificadas”, até didáticas.

Tipo a garota moe que tem necessidade de parar de comer e soltar um HUMMMMM digno de Ana Maria Braga para mostrar que está gostando. Ou o sujeito que escuta algo que o surpreende, para de falar e solta um “hoe?”, em vez de, sei lá, franzir o cenho. Ou o anti-herói que, para soltar uma frase dramática, vira de costas para o interlocutor e fica nessa posição por meia hora.

Pessoas reais não agem assim, mas a gente leva numa boa.

buniiito4Fábio “Mexicano”

Então, acho que só a Krone ficou um pouco acima do tom do próprio anime mesmo, de Neverland. Não é algo que me tenha feito tirar pontos desse episódio, de forma alguma, gostei dele. Mas a minha impressão dela é que é completamente psicótica ordens de grandeza acima da Isabella, e não sei se é exatamente isso.

cat ultharGato de Ulthar

Acho que nunca vi uma brincadeira de pega-pega tão brutal! Eu curti bastante a Krone, adoro personagens psicóticas como ela, a maneira de encarar as crianças com aquele olhar assustador….

E a ideia do Ray foi dificultada, matar a Krone não me parece fácil, a mulher é super forte e rápida, algo como veneno talvez?

E faço coro com os demais, é hilário ver o pessoal falando dos seus planos em voz alta, não me admira usar a menina de óculos como espiã.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Esse pega-pega foi incrível, pois é um dos melhores exemplos de foreshadow que já vi em adaptações de mangás longos.

Nós assistimos aos protagonistas correndo, escondendo-se, apagando suas pegadas. Vemos personagens específicas tendo dificuldades com isso ou aquilo, brilhando nessa ou naquela tarefa.

Acredito que não seja spoiler dizer que tudo isso voltará mais para a frente. E, quando a situação se tornar realmente quente, será esse “treinamento” que guiará suas ações.

buniiito4Fábio “Mexicano”

Adorei o pega-pega justamente por causa disso. Além de ter sido em si uma sequência interessante, claro, a gente conheceu um pouco mais sobre todas aquelas dezenas de crianças em pouquíssimo tempo. Digo, conhecemos o que é realmente importante sobre elas: fugir e sobreviver. Inteligência, físico, essas coisas. Além de termos uma breve noção do terreno e do tipo de desafios que enfrentarão.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Acham que já têm material para especular mais sobre isso? O que vocês acham, concretamente, que serão esses desafios?

Já vimos que há duas mamães. Que elas contam com alguma espécie de rastreador. Que o orfanato, se nada mais, possui muralhas. Qual fundo vocês acham que irá a toca do coelho?

diego gonçalvesDiego

Em termos de habilidades físicas, a Krone parece ser o maior problema. Por algum motivo a mamãe não me pareceu muito atlética, e nesse sentido da até pra dizer que pouco importa o seu rastreador: de pouco adianta saber onde as crianças estão se você continua sem conseguir pegá-las.

Mas ai tem toda a questão de o que é que existe lá fora. Uma sociedade inteira de “demônios”? Se for, então o Ray tem razão em achar que as chances deles são pequenas.

Uma sociedade talvez em conflito, com humanos de um lado e “demônios” do outro? Menos pior, mas ainda não uma perspectiva animadora para as crianças. Um monte de mato?

Pra ser sincero, essa seria a melhor opção: que as crianças ao menos pudesse fugir pra algum lugar desolado para viverem em paz.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Lembrando que não temos confirmação nenhuma que esse orfanato sequer “exista”. Pode ser tão real quando aquela miniatura de naufrágio que colocamos dentro de aquários. Um verdadeiro Show de Truman.

diego gonçalvesDiego

Existir ele existe, a menos que você esteja sugerindo algo nível as crianças estarem na verdade com as mentes plugadas em uma simulação de computador Se o que há para além dele for um muro ainda mais impenetrável – e que talvez cubra todo o lugar – ai é mais um desafio a superar.

cat ultharGato de Ulthar

Eu não acho que seja uma ilusão, não é impossível, mas acho que nesse caso seria um desperdício para a obra.

E respondendo a pergunta original do Vinicius, as crianças estão ferrados, peço perdão pelo termo mas é isso mesmo, elas precisam de muito plot armor para sobreviverem nas atuais circunstâncias.

Contudo, acho a adição da irmã Krone muito mais prejudicial para a mamãe do que qualquer outra coisa, a mulher é visivelmente doida e quer tomar o lugar da mamãe, se as crianças souberem aproveitar essas brigas internas, pode ser a melhor chance delas.

buniiito4Fábio “Mexicano”

Se isso fosse o mundo real, a chance seria grande deles pularem de uma fazenda para dentro de outra. Imagino que tipo de rebosteio isso poderia dar.

Será que é tudo uma simulação de alto nível para que as crianças cresçam da melhor forma possível, entendo-se por melhor aqui o mais saboroso para os demônios? Se esse for o caso, então talvez elas batam na fronteira ao tentar ultrapassar o muro, estilo vídeo-game, ou talvez algo muito bizarro aconteça. O mais divertido seria a fazenda ser como Pac-Man e o muro dar para o lado exato oposto de onde elas “saíram”.

Mas sinto que qualquer dessas hipóteses as deixa sem ter como fugir, a não ser que apareça-lhes um Morfeu a oferecer a pílula vermelha para escapar da Matrix. Não é impossível, mas me parece idiota, então acho que a fazenda existe, é real, e dá para fugir.

O que não quer dizer nada sobre o que possa estar do lado de fora. Talvez estejam em um meteoro e só a área da fazenda seja terraformada, por exemplo. No fundo acho que temos muito pouco (nada, na verdade) para especular sobre o “lado de fora”.

Ignorando essa questão, acredito que o maior trunfo que as crianças têm para conseguir escapar é a rivalidade entre as duas adultas. Se a Krone se convencer que o melhor para ela é deixar que as crianças fujam para que a Isabella seja penalizada, por exemplo, ela pode até acabar ajudando.

Dito isso, a Isabella parece ter escolhido a Krone a dedo, então mesmo essa vantagem talvez seja apenas ilusória.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Essa ideia do wraparound de Pac Man poderia dar tanto uma bela comédia ou um terror de gelar o sangue. Também terminaria a história rapidinho. Depois de uma dessas, o que você faz?

Mas enfim, de volta à nossa brincadeira. Vocês estão na Casa Grace Field e Isabelle e Krone não parecem estar se dando muito bem. O que vocês fariam? Explorariam a rixa? De que maneira?

cat ultharGato de Ulthar

Explorar a rixa claro, de que forma?

Primeiro as crianças teriam que descobrir que há uma rixa, o que ainda não parece que conseguiram fazer totalmente, apenas a Emma ouviu que a irmã Krone estava do lado deles, mas parece que não acreditaram nessa fala pretensiosa (eu também não acreditaria).

Depois de descobrirem do que se trata a rixa, deveriam dar um jeito de explorá-la, como por exemplo, fazer a Isabella perceber que a irmã Krone quer lhe passar a rasteira, e o inverso também.

booker finisgeekis 1Fábio “Mexicano”

Começo repetindo o que o Gato disse: em primeiríssimo lugar, eles precisam saber que existe essa rivalidade. Por tudo o que viram até agora, eles ainda não sabem. Ainda há tempo de descobrir, mas quando descobrirem ainda haverá tempo de planejar e executar algo com base nisso? Não sei, mas por enquanto parece a melhor ideia até agora.

O mais óbvio é o que já insinuei, tentar convencer a Krone de que a fuga deles vai pesar totalmente na conta da Isabella, e que isso oferece a ela um melhor custo-benefício do que tentar provar que é mais capacitada que a outra capturando algumas ou todas as crianças.

Mas, embora óbvio, não parece nada fácil. Assim como a Isabella já arranjou uma espiã, talvez essa seja a chave: pelo que me consta, as adultas ainda não sabem que Emma e Norman pretendem fugir com todas as crianças. Se conseguirem um ou mais agentes duplos para alimentar as adultas com informações conflitantes, podem fazê-las bater cabeça na hora da execução da fuga.

….alguma criança com muita coragem também poderia cortar a própria orelha e enfiar secretamente nos bolsos de uma das duas. Não é muito eficiente já que todas têm rastreadores, mas achei por bem soltar no ar uma hipótese gore.

diego gonçalvesDiego

Acho que só posso fazer coro com os demais. Primeiro precisariam saber que a krone tem seus próprios interesses, e ai pensar em como usar isso. De minha parte, nenhum plano me ocorre 😛

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Que resposta será que o anime nos trará? Veja só, não precisamos esperar o próximo episódio. Ele já está aqui:

Se havia alguma dúvida de que Krone não vê olhos nos olhos com a Isabella ela acabou de ser dissipada.

Aliás, falando em Krone, o que são essas expressões faciais:

Alguém dê um Oscar para essa mulher antes que os demônios resolvam retirar seus privilégios.

Óbvio, os conluios da Krone, por mais importantes, estão longe de ser o ponto alto do episódio. Acho que todos vocês sabem exatamente do que estou falando.

Pois bem, como lhes caiu o twist mais sacolejante do momento?

diego gonçalvesDiego

Qual deles? Que a Guilda não é a espiã? Eu meio que já esperava: estava um pouco óbvio demais. Que o Rey talvez o seja? Torço pra que seja o caso mesmo!

Odiaria se o próximo episódio começasse com o Norma soltando um “há, brincadeira”. Até porque, se formos levar a sério o que a Krone falou no episódio passado, faz todo sentido: se o Rey tem mesmo a tendência de abandonar planos com facilidade, faria sentido ele desistir de sair com todos e virar um espião se isso lhe der melhores chances de sobreviver.

cat ultharGato de Ulthar

Se pararmos para pensar, é bem fácil entender o raciocínio do Norman de que o Rey seja um espião.

Vejamos, ele disse para o Rey que o Dan iria encontrar a corda em um lugar e a Gilda encontraria em outro, mas ele simplesmente não disse nada disso para os dois (pelo menos não aparece ele falando nada), só sabemos que ele falou para o Rey, só ele teria essa informação, se fosse indicar que a corda estive em qualquer um dos lugares seria o Rey que fez a denúncia, e como não vimos quem deixou a carta debaixo da porta, é bem provável que tenha sido o Rey.

O Norman é muito astuto, no fim das contas, com toda aquela operação das cordas, ele queria apenas testar o Rey.

É bem plausível que tanto a Gilda o Dan não fosse espiões, os dois não são lá muito espertos, mas o Rey ele é bem mais suspeito, seria o espião perfeito, e foi isso que o Norman pensou.

buniiito4Fábio “Mexicano”

Tecnicamente, “tudo” estava óbvio. Só não podia ser tudo ao mesmo tempo, e a Gilda era ligeiramente “mais óbvia”.

Gostei muito dessa reviravolta porque uma das coisas que me incomodou no episódio 3 foi justamente como eles concluíram do nada que existe um espião. Ora, foi o próprio Ray quem concluiu isso! O raciocínio da Emma e do Norman parecia ir por essa direção, mas eles ainda podiam explorar outras possibilidades (por exemplo, a de que houvesse dispositivos de monitoramento sim, só que, como os rastreadores, eles fossem de difícil detecção). Mas o Ray já tinha certeza:

E falando em todos os suspeitos óbvios, dá uma olhada nisso:

Ou nisso, que é o que aparece logo em seguida. Não há nenhum vínculo causal, mas há a conexão narrativa: o Norman fala que há um traidor entre eles e quase no mesmo instante foca nesse carinha, em quem o Ray tentou lançar suspeitas no episódio 4:

Depois de novo, enquanto as crianças entram no refeitório, ele olha para Emma (e além dele só a Gilda, da forma suspeita que já sabíamos) e sorri desse jeito:

E o Don é um tipo de “suspeito natural” (é que nem “o mordomo”) porque é mais velho, se destaca fisicamente, mas não parece especialmente esperto. Se fosse pra lançar suspeição sobre outros personagens para no final revelar que outro, insuspeito, era o culpado, o Don era o candidato ideal para isso. E nesse quarto episódio a balança da suspeição pendeu forte para o lado dele.

Agora o que começa a me incomodar é outra coisa, mas se ninguém falar eu fico quieto também. Neverland tem um bom histórico de me incomodar com algo e justificar muito bem logo em seguida (ainda que seja plausível que isso em si possa ficar cansativo também, ainda me parece que estejamos longe desse hipotético ponto de saturação).

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Acho que o Fábio está falando de soluções ad hoc, quando pouco ou nada no build-up de uma revelação parece levar até ela.

Bom, isso é bem frequente em shounens do tipo. Um exemplo que me fez rir bastante recentemente foi Shokugeki no Souma. Temos duas personagens disputando um duelo culinário. Uma vence, ao que a outra intervém: “mas você ainda não sentiu a essência do meu prato” e saca uma concha de molho. Algumas batalhas são tão “disputadas” que tem várias dessas revelações, com os cozinheiros sacando molhos, temperos e ingredientes extras de sabe-se lá onde.

Em defesa de Neverland: os elementos, nesse caso, já estão aí. Lembra que conversávamos sobre os “treinos” era um foreshadow do que estava por vir? Pois bem, eles reaparecem o tempo todo na narrativa, como veremos em breve.

buniiito4Fábio “Mexicano”

Não é isso.

E bem, já que tentou adivinhar, melhor eu dizer ao invés de ficar brincando de suspense aqui: me parece que seria uma história muito mais interessante, asfixiante até, se o tempo todo só estivéssemos no ponto de vista das crianças.

Ver a partir das Mamães ou até dos demônios, como foi em um episódio, quebra um pouco o clima. Mas como eu disse, outras coisas em Neverland me incomodaram antes e se justificaram muito bem, e a solução ad-hoc do episódio anterior, quando concluíram que havia um espião, foi uma delas. E se justificou lindamente nesse episódio!

Então estou mais do que disposto a dar esse voto de confiança.

cat ultharGato de Ulthar

Não dá para negar que colocar o Rey como espião de uma maneira tão engenhosa como o Norman fez foi uma jogada de mestre.

diego gonçalvesDiego

Bom, o Fábio não é o primeiro que vejo reclamar de que a história deveria focar apenas nas crianças. Mas talvez seja justamente ela não fazer isso o que revele seu lado mais “shounen“, estabelecendo heróis e vilões, os anseios e problemas de cada um, e por ai vai. Menos um terror puro e simples e algo mais próximo, de fato, das “batalhas mentais” de outros shounen (Death Note sendo o que mais vem à mente do pessoal, mas esse tipo de embate, de tentar prever o que o oponente irá fazer, é meio que comum em muitos títulos da categoria)(editado)

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Como ficção, isso realmente traz uma série de problemas. A mesma informação poderia ser introduzida sem mudar o foco narrativo, desde que a história fosse arquitetada de acordo. Isto, de fato, contribui para o fator “rá!” que o Diego mencionou (e não dá para negar que uma obra como Neverland depende de seus “rás!”). Mas perde bastante em atmosfera.

Mas já que o anime resolveu nos dar todas as cartas que tal especularmos por aí?

Acho que tudo o que discutimos nesses últimos dois episódios deságua na mesma questão: o que vocês acham que as mamães são, no final das contas?

A Krone deu algumas pistas, mas não sabemos quão bem podemos confiar nela. Acha que são crianças que escaparam da colheita? Humanos livres aliados dos demônios? Demônios disfarçados?

buniiito4“Mexicano”

Acho que são humanos criados especificamente para esse propósito. Talvez possam ser separados das fazendas normais, dependendo daqueles testes doidos lá.

diego gonçalvesDiego

Em primeiro lugar, eu espero que sejam sim humanos. Isso porque algo do tipo adiciona um nível de “creepy“: a ideia de que pessoas como qualquer um de nós esteja de conluio com tudo isso é simplesmente mais aterradora do que se forem apenas demônios disfarçados.

Mas há também um elemento de incerteza num caso do tipo. Digo, se forem humanos, por que estão fazendo isso? Porque gostam? Bom, isso só aumenta o fator creepy.

Porque estão sendo forçados? Ai a coisa já muda de figura: se for o caso, abre-se a possibilidade de se tornarem aliados improváveis no caso de um confronto direto entre humanos e demônios.

cat ultharGato de Ulthar

Penso que são humanas mesmo, talvez uma parte dos humanos ainda seja utilizada para fiz de realização de serviços, é só fazer uma paralelo com o mundo real, pois um bom, além de fornecer carne, pode servir como meio de transporte de mercadorias e pessoas.

buniiito4Fábio “Mexicano”

Comparar pode ser útil, né? Existe gado de corte, gado leiteiro, bois de carga, e até criados para tourada. O gado de corte pode ser criado de forma intensiva ou intensiva, pode ser abatido adulto ou ainda filhote (carne de novilho). Enfim.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Eu amei essas respostas.

Por quê? Não contarei agora. Seria spoiler.

Até o próximo episódio. Torça para sobrevivermos até a próxima semana!

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