Café com Anime: “Irozuku Sekai no Ashita Kara” episódio 10

Bem vindo ao Café com Anime, sua dose semanal de bom papo e animação japonesa!

Nessa temporada, o Finisgeekis, Anime21, Dissidência Pop e É Só um Desenho discutem Irozuku Sekai no Ashita Kara. 

E o episódio de hoje nos leva direto para… a história da arte e a realidade virtual!

Não, você não leu isso errado. Irozuku pode ser um drama escolar, mas nem por isso não é cultura. Confiram:

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Demorou dez episódios, mas finalmente tivemos nossa bomba. Nossas suspeitas finalmente se realizaram: Hitomi sofre de um apavorante trauma. As peças começam finalmente a se encaixar, e a razão de sua viagem ao tempo começam a transparecer. Ou será que não?

Uma revelação dessas não se guarda para si. Vamos, me ajudem a entender o que acabei de ver!

buniiito4Fábio “Mexicano”

A Hitomi e a Asagi fizeram as pazes logo, o que à princípio me pareceu muito fácil e com a forma como o episódio anterior terminou eu esperava mais, mas não foi uma má resolução. De fato, não tem muito mais o que fazer a respeito, a não ser que uma delas queira ficar arrastando a coisa. Elas não quiseram, e o anime está entrando na reta final portanto isso é bom.

Finalmente descobrimos o trauma da Hitomi, que a fez odiar magia! A filha (ou uma das, vai saber) da Kohaku nasceu sem poderes mágicos, e já adulta, casada e com uma filha ela foi embora de casa. Será que ela foi embora pelo motivo que a Hitomi pensa que foi, mesmo? Às vezes crianças se confundem.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

De fato. E mais do que isso: às vezes compram a culpa dos problemas que enxergam. Você vê isso toda hora com casais que se divorciam. A criança vira o foco da discórdia, vira um fardo e começa a se odiar.

buniiito4Fábio “Mexicano”

Exatamente. Inclusive pode ter sido esse (divórcio ou coisa parecida) o motivo, não? Só não entendo porque a avó nunca conseguiu explicar isso pra garota mesmo quando ela já estava no meio do caminho para se tornar adulta.

Quero dizer, por que só depois de velha a mãe da Hitomi iria “fugir de casa” por não ter poder mágico? Ela ficou mesmo com inveja de uma criança?

diego gonçalvesDiego

Durante toda a história da Hitomi eu só fiquei me perguntando onde estava o pai dela :stuck_out_tongue:Animes costumam ter pais desaparecidos mesmo, mas espero que isso não fique no ar…

Oh bem, em todo caso, a conversa dela com o Aoi foi interessante pela inversão de papeis. Se da outra vez foi ela quem tocou uma ferida que ele preferia não mexer, desta vez foi ele quem falou mais do que devia. E ele percebeu, tanto que falou que ela podia ficar irritada.

cat ultharGato de Ulthar

Gostei desse episódio, ele foi muito “simpático” por assim dizer.

Não é segredo que anime vem nos apresentando referências bem bacanas, e como ninguém mencionou ainda, lá vai.

Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte de Georges-Pierre Seurat, integrante do Movimento Impressionista, e por sinal, essa pintura é a mais famosa do estilo de pontilhismo.

Sei que os desenhos do Aoi são legais, mas também não seria super legal fazer os visitantes entrarem em pinturas famosas?

Do resto do episódio, está bem, a Hitomi tem um trauma de infância, mas só eu achei que esse elemento foi inserido muito perto do final da obra?

buniiito4Fábio “Mexicano”

Se ela nunca tivesse parecido ter qualquer trauma ou não parecesse ter um motivo para isso, eu concordaria. Mas a gente já sabia que “algo” tinha acontecido (e isso sem o anime precisar dizer nada, o que é um enorme mérito), só não sabia o quê.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Gato como sempre traz as melhores ideias. Já imaginou mandar visitantes para dentro de, sei lá, Leônidas nas Termópilas?

Pessoalmente, mandaria eles para O Jardim das Delícias Terrenas, mas sinto que isso faria a direção me expulsar da escola:

Na real, tratando-se de adolescentes, aposto que amariam mesmo A Origem do Mundo. (Não, leitor, não vou linkar a imagem. Pesquise por sua conta e risco ( ͡° ͜ʖ ͡°) )

buniiito4Fábio “Mexicano”

Esse quadro é ótimo mesmo :smile:

Mas como será que seria visitar as geometrias coloridas de pintores abstratos como Barnet Newman, Rothko ou Mondrian?

Talvez fosse parecido com visitar os cenários de Superman, jogo para Atari? :smile:

Pensando bem, esqueça pinturas, eles podem visitar games, o que significa que eles podem jogar em pessoa, é uma fronteira totalmente inexplorada ainda pela indústria do entretenimento, a família Tsukishiro vai ficar podre de rica, aposto que esse é o motivo da avó ter enviado a Hitomi para o passado!

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

E foi assim que tudo começou…

De fato, seria uma revolução para os games. Hoje em dia, o mais próximo que temos disso são aquelas esferas de realidade virtual. Que são um trambolho, não te transportam de verdade e nem funcionam para todas as pessoas (eu, que sou grandão, não consegui entrar em uma numa exposição de games tempos atrás)

Mas games seriam apenas a ponta do Iceberg. Pessoas poderiam fazer turismo sem sair de casa, “entrando” em fotografias. Penitenciárias seriam aposentadas. Para quê construir cadeias se é possível prender pessoas em pinturas?

Esse é um ponto que me faz coçar a cabeça com Irozuku. Não vou dizer que chega a me incomodar, mas é incrível o quão pouco presente é a magia na vida das pessoas, considerando como é lidada com casualidade e o potencial que ela tem.

diego gonçalvesDiego

Bom, em toda essa cidade aparentemente só existe uma família de magas. Talvez por isso a magia não seja mais presente: é difícil extrair muito de uma pessoa só. Não da pra sustentar múltiplas indústrias e sistemas (como a ideia do Vinicius para turismo, jogos e prisões) se não houver pessoal para isso. A menos que planejem criar magas por engenharia genética :stuck_out_tongue:

buniiito4Fábio “Mexicano”

Acho que é algo que conversamos no começo, não é? Sobre como a magia não parece, bem, ter mudado o mundo com todo o potencial que ela tem. Ainda que sejam poucos os magos, eles o são em número suficiente para a Kohaku ter ido fazer estudo de verão em Hogwarts no começo do anime :stuck_out_tongue:

Sem dúvida existe magia suficiente para transformar o mundo, e não necessariamente para a melhor. Mas se me lembro bem de nossa conversa sobre o assunto, meio que concordamos que a magia era só um elemento fantástico para, huh…. “colorir” a história :smile:

cat ultharGato de Ulthar

No mundo do anime a magia parece ser algo bem natural e integrada na sociedade, como se fosse uma forma de tecnologia, mas mesmo assim, parece ser algo bem restrito e não é todo mundo que tem talento para produzi-la.

E vejamos, não sabemos se há departamentos de magia no governo, se há usos militares para ela, ou mesmo na saúde, na agricultura ou seja mais onde for. E porque não sabemos isso? Pois o anime não nos contou e isso não importa no fim das contas, já que a única coisa que é detalhada é a vida escolar do elenco.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

É, eu sei, mas poxa! Entrar em videogames! É o tipo de coisa cool demais para não brisar.

Enfim, falemos do que de fato importa O ponto alto do episódio: a reconciliação da Asagi e Hitomi.

O Fábio mencionou que achou fácil demais, e eu concordo. O desabafo – aliás, os desabafos – da última semana foram tão sinceros que eu esperava um pouco mais de rancor. Mas acho que a cena reforçou bem o quanto elas se desenvolveram desde o primeiro episódio, tanto como amigas quanto como garotas individualmente.

Gostei particularmente de quando elas se reconheceram uma na outra por conta da mesma dor.

É o tipo de maturidade que eu gostaria de ter tido na idade delas. As rejeições que recebi me faziam muito mais odiar o “outro”, então minha crush por amar o outro, então eu mesmo por gostar da minha crush.

buniiito4Fábio “Mexicano”

As duas são muito boazinhas, isso sim. Acho que maturidade mesmo é um pouco mais complexo do que isso. Elas não demonstraram até agora ser capazes de odiar alguém de verdade.

diego gonçalvesDiego

Acho que foi uma questão de ambas saberem que não tem realmente a quem culpar. A Asagi principalmente, já que sabe que sua amiga não fez nada. Inclusive, acho que essa era grande parte da frustração dela.

cat ultharGato de Ulthar

Tudo certo até então. Como o Fábio mesmo disse, as duas são muito boazinhas, e é legal ver um anime de vez em quando onde não é necessário ter uma pessoa ressentida com dor de cotovelo.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Pois é. Irozuku não se perde em drama barato. E creio que aí está uma de suas grandes forças.

Mas parece que a calmaria não vai durar para sempre. O passado da Hitomi acaba de dar as caras, e pode apostar que terá um efeito sobre sua magia.

Mas isso é um problema para o próximo episódio. Que discutiremos semana que vem. Até lá!

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