Café com Anime: “Happy Sugar Life” episódio 6

Bem vindo ao Café com Anime, sua dose semanal de bom papo e animação japonesa!

Nessa temporada, o Finisgeekis, Anime21, Dissidência Pop e É Só um Desenho discutem Happy Sugar Life.

A série finalmente chegou à sua metade. Mas entregou o que prometia? Em alguns quesitos, muito mais que isto!

Confiram:

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Eis que chegamos à exata metade de Happy Sugar Life!

Lembro-me que algum de nós (acho que foi o Diego) disse ter a impressão de que o anime seguiria na vibe “vilão da semana”. Bom, a essa altura do campeonato, acho que podemos ter certeza de que esse não foi o caso.

Sim, tivemos um pequeno cadre de antagonistas, mas ele se manteve restrito ao longo desse primeiro arco. E hoje entendemos o porquê: foi tudo uma escalada para mostrar como cada uma dessas pessoas está planejando agir contra a Satou – e pode, muito bem, conseguir.

Na semana passada estávamos nos perguntando se o Tayou ou a Shouko seriam os arquitetos da derrocada da garota. Agora, a situação me parece bem mais complicada. Qualquer um deles, mesmo personagens no “escanteio”, como o professor ou a (sumida) Sumire, podem empurrar o dominó que levará tudo ao chão. Pois é Satou. A realidade é bem amarga!

Bom, essa ao menos foi a minha leitura. E vocês, o que acharam?

cat ultharGato de Ulthar

Eu gostei bastante desse episódio, parece que paramos uma pouco com o “maluco” da semana, como bem apontou o Vinicius, as cartas estão na mesa e os jogadores estão fazendo suas jogadas.

Gostei como cada personagem fez os seus movimentos no tabuleiro de Happy Sugar Life. A Satou aproveitou o episódio para colocar o Tayou em cheque, pois claramente o seu convite para ver a Shio é uma armadilha, e a Satou não pensará duas vezes antes de eliminar o doidão.

Só eu fiquei com um gosto “amargo” com o convite da Satou de levar a Shouko para sua casa e contar tudo? Para mim é uma desculpa de poder matá-la, pois duvido que ela realmente tenha confiança em contar tudo para a sua amiga. Se for isso mesmo, Satou poderá dar cabo de mais dois personagens em sequência.

buniiito4Fábio “Mexicano”

Não dá para manter uma vida estável e relativamente normal baseada em mentiras. E não dá para sequestrar uma criança e viver com ela sem viver mentindo.

A metaestabilidade da vida da Satou está perto de chegar ao fim. Ela está cercada por todos os lados, e se a cena inicial do primeiro episódio é uma pista de como ela irá sair disso, o prognóstico é pessimista.

diego gonçalvesDiego

O que eu tiro desse episódio é que aparentemente não existe polícia nesse mundo:stuck_out_tongue: Digo, se a mãe da Shio tinha a coragem de fugir daquela casa, por que não ir até a polícia?!

E se todo mundo naquela vizinhança sabia do pai abusivo, de novo: por que ninguém foi até a polícia? Aparentemente o pai não era ninguém influente nem nada, só um beberrão intimidador.

Eu até posso entender isso como uma crítica ao costume japonês de se manter fora da vida alheia, mas se for o caso é só mais um item pra minha lista de motivos pelos quais o Japão mais parece uma distopia futurista 😛

Mas é, tirando esse “pequeno” detalhe, foi bom ver que agora o anime pretende assumir de vez uma narrativa mais contínua, com alguns dos personagens que vimos até aqui agindo por conta própria. Não esperava que aquele professor fosse seguir sendo um personagem recorrente, por exemplo. E eu pergunto: será que a Satou realmente matou a tia?

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Eu pensei exatamente nisso! Maltratar o filho é uma coisa. Mas arrancar suas unhas? Todas? Só no mundo de Happy Sugar Life para alguém ver isso na rua e não chamar a polícia.

O que torna a ação da mãe (e sim, agora sabemos que é a mãe!) um tanto estranhas, não acham? Será que a situação justificava uma Escolha de Sofia (“salvando” a Shio para deixar o Asahi se ferrar)? E que papo foi aquele do “agora é tarde demais”?

cat ultharGato de Ulthar

Acho que Happy Sugar Life se passa em um universo alternativo, semelhante ao nosso, onde tudo é mais extremo e as coisas acontecem uma atrás da outra e quase ninguém se dá conta

buniiito4Fábio “Mexicano”

Eu acho que é quase isso. É uma versão, huh, surreal? Hiper-real? Enfim, vocês entenderam. Um espelho do nosso mundo em que essas perversões são potencializadas para o autor conseguir contar a sua história e transmitir a sua mensagem.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Esse tipo de coisa me lembra a obra do Franz Kafka. Suas histórias geralmente são reduções ao absurdo da realidade, em que uma personagem se vê numa cilada absurda, agravada pela total indiferença daqueles ao redor.

Não é à toa que o pai do Asahi ganhou o visual de um monstro de filme de terror. Por um momento, achei até que estivesse assistindo a uma esquete bem animada de Junji Ito “Collection”!

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Diego, você geralmente torce o nariz para esse tipo de simbolismo. O que você pensa disso?

diego gonçalvesDiego

Por incrível que pareça, eu gostei. Foi uma ótima maneira de transmitir o quão monstruoso o pai parecia para o Asahi. Um visual mais humano talvez não comunicasse tão bem a visão do garoto.

cat ultharGato de Ulthar

Tem umas criaturas muito semelhantes em Ghost Hound.

O curioso é que o contexto é minimamente parecido. Em Ghost Hound um “fantasma” desses é usado para representar o sequestrador e abusador de duas crianças (uma qual é o protagonista).

Nas memórias das crianças nunca se vê o rosto dele, sempre é mostrado como essa criatura negra e gigante.

buniiito4Fábio “Mexicano”

Ele apareceu como uma pessoa “normal” episódios atrás, quando tivemos o primeiro vislumbre da casa da Shio.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Isso me lembra um excelente comercial da ONG Fragile Childhood. A vinheta mostra crianças fazendo atividades familiares, visivelmente transtornadas pela presença dos pais. Quando a câmera finalmente nos mostra o rosto dos progenitores, percebemos que eles são monstros.

O clipe termina com a mensagem: “Como as crianças nos vêem quando bebemos?” Nenhuma das violências do comercial chega perto do abuso do Asahi, claro. Mas é prova de quão assustador e opressivo pais alcoólatras são para os jovens.

Olha, eu preciso dizer que estou desapontado. Peguei esse anime esperando ver faíscas, mas eis que todos nós estamos gostando!

Pois bem, já estamos na metade, e acho que Happy Sugar Life já mostrou a que veio. Vamos fazer um balanço da série até agora? O que vocês estão achando? Bateu com suas expectativas?

buniiito4Fábio “Mexicano”

Acho que foi um pouco mais “burocrático” do que eu esperava, com os primeiros episódios estilo “monstro da semana” para apresentar os personagens, mas nada que tenha afetado meu entusiasmo.

A animação não é fluída como, por exemplo, foi Mahou Shoujo Site na temporada passada, para ficar em animes de pessoas ferradas, mas Happy Sugar Life compensa com simbolismo e fotografia, o que faz sentido para uma história que de fato tem menos ação.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Eu confesso que nem reparei na qualidade da animação (o que, tratando-se de animação, geralmente é um mau sinal:stuck_out_tongue_closed_eyes:). Acredito que a direção de arte conseguiu tão bem passar um efeito “mangá” que às vezes até me esqueço de que estou assistindo a algo cinematográfico.

É a impressão que me passou Kuzu no Honkai umas temporadas atrás. Aliás, nem sei se já comentei aqui, mas acho que séries um tanto parecidas, apesar de terem pouquíssimo a ver uma com a outra.

Ambas se esforçam para reproduzir o visual de seu material de origem, chegando até àquele velho hábito japonês de “artificializar” propositalmente uma imagem colocando escrita por cima.

Eu ainda tenho umas imagens de Kuzu no Honkai na minha pasta de screenshots. Sempre que a acesso para pegar fotos para esses nossos artigos levo um susto. Por exemplo, vejam só essa tomada:

Que não é de Happy Sugar Life, mas bem poderia ser, pois o anime tem uma quase idêntica:

diego gonçalvesDiego

Bom, é uma imagem relativamente comum nos animes – e uma bem no tipo que dá um charme maior a essa mídia, já que reproduzir uma tomada do tipo no mundo real seria imensamente difícil (se não impossível). 😛

Agora, sobre o anime como um todo, vou dizer que ele me surpreendeu positivamente. Acho que nesse ponto todo mundo (leito incluso) conhece um pouco o meu gosto e minha “leve e pequena” desconfiança para com animes… bom… edgy (na falta de termo melhor… aliás, alguém invente um termo melhor, por favor).

Mas Happy Sugar Life vem entrando uma história até que bem interessante de acompanhar, dada a exploração que faz do psicológico de seus personagens. Ela ainda me soa como demasiadamente negativa para eu conseguir levar a obra tão a sério quanto ela quer ser levada, mas mesmo isso ao menos me garante algumas boas risadas nos momentos mais “trash” do anime :smile:

buniiito4Fábio “Mexicano”

Eu não diria que é um problema, mas é, sobre a “exploração demasiadamente negativa” que o Diego menciona, tenho que concordar, desde o começo Happy Sugar Life entrega uma mensagem terrivelmente pessimista.

Kuzu no Honkai, que o Vinicius citou, é neutro – o que é esperançoso o suficiente para quem se identificar em alguma situação daquele anime. Mahou Shoujo Site é inesperadamente positivo. Happy Sugar Life assusta com quão negativo consegue ser. Nada tem solução, estão todos errados, o mundo é horrível, tudo vai piorar e nada está sob seu controle.

cat ultharGato de Ulthar

Essa exploração contínua da violência e do pior lado do ser humano é muito intensa até para os meus padrões, parece que estamos sempre em alguma correnteza perigosa, sem ao menos ter um momento de calmaria onde podemos relaxar ou ter esperança.

Mas estou gostando bastante do anime mesmo assim, a trama é suficientemente interessante e seus personagens suficientemente ricos, com personalidades bizarras e gostos piores ainda. A minha única crítica é justamente a falta de uma mínima perspectiva até dessas piores facetas da humanidade.

booker finisgeekis 1Vinicius Marino

Eu confesso que eu também me despeguei um pouco. Normalmente, teria receio de que alguma coisa ruim acontecesse às personagens. Mas Happy Sugar Life é o lugar onde filho chora e a mãe não vê. Não é só a negatividade imperar; é o fato de nos socar no estômago logo de cara e não soltar. Agora, sinto que eu aceitaria tudo o que vier.

Não sei se isso é exatamente bom, mas devo reconhecer a ousadia de uma obra que se esforça para não ser empática às personagens. E que continua interessante (e humana) a despeito disso.

E com essa vamos ficando por aqui. Até a próxima!

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